quarta-feira, 5 de março de 2014

Transamazônica: o descaso do governo federal

... Nos meses de seca, a estrada fica mergulhada na poeira. No período de chuva, que vai de outubro a março do ano seguinte, veículos atolam constantemente e linhas de ônibus param de circular em vários trechos.

Por: Cirineu Santos / Uruará - Pará
Fotos: Jamilson Pones - Byllo Silva - Stéfanny Sousa Santos e Cirineu Santos


É preciso que o governo Federal, o governo do Pará e os deputados estaduais, federais e senadores resolvam o problema da falta de asfalto na rodovia Transamazônica, especialmente entre os municípios de Medicilândia a Itaituba. Os motoristas e a população agradecem.


Basta caírem às primeiras chuvas na região para que partes da rodovia – sem asfalto – se transformem em um verdadeiro Deus nos acuda para os motoristas, especialmente os de caminhões e carretas.


Os caminhoneiros já se adaptaram ao ciclo infernal. Caminhões e carretas só sobem a ladeira puxados por trator, isto é, quando aparece um no local. Além de a ladeira ser empinada, há muitos buracos na área por causa da chuva e isso acaba provocando excesso de lama. Com a lama, os veículos pesados patinam, atolam e não conseguem trafegar. Os atoleiros tornam o frete tão caro que muitas vezes não vale a pena fazer o transporte. Quem insiste acaba por enfrentar um rali na selva.


Tem motorista que se arrisca a passar por precárias pontes. Faz parte de sua rotina passar noites em atoleiros à espera de um reboque. O asfalto só existe em trechos esparsos e a sinalização é um luxo inexistente.

Caras autoridades, a população clama e desabafa seus anseios em suas páginas das redes sociais. Veja o relato de centenas de pessoas que trafegam na rodovia:


“Imagine você em um desses caminhões, depois de um dia inteiro atolado e passando fome e sabendo que vai passar a noite nesta situação, no frio, todo sujo de barro vermelho, acordado ou dormindo de mal jeito... já imaginou? então comece a planejar... comece a agir...”


“Cadê os milhões de reais que dizem que o governo federal liberou por diversas vezes, para a pavimentação destas rodovias tão importante para o escoamento da produção do centro/sul do país, por meio do porto de Santarém”,

“BR 230 – Transamazônica - PA em 2014. Olha que o quiabo perdeu longe...”

“ISSO É BRASIL, O PAÍS DA COPA - Por motivo cultural alguns países são mais preocupados em estruturar seu próprio País, do que ficar a espera de uma Copa do Mundo. Sem copa ou com Copa a China cada vez mais cresce, se desenvolve, não apenas para melhoria nas rodovias a utilização para transporte de carga e sim para aumento quanto ao turismo, pois, com boas estradas existem uma melhor demanda de turistas para o País”.

Da revista Sustenta

Um dos mais ricos e importantes ecossistemas do planeta, a Amazônia, ainda sofre pela falta de comunicação, tanto física quanto tecnológica, a que está submetida. Com 40 anos, a estrada que prometia ser parte da solução para esse dilema que afeta o desenvolvimento da região se tornou parte do problema. Com a meta de atravessar de leste a oeste a maior floresta tropical do mundo, a Transamazônica (ou rodovia BR-230), teve seu projeto lançado durante o governo Médici em 1970.

Teria início com a construção de duas vias, uma saindo de João Pessoa (PB) e outra de Recife (PE), e as duas se uniriam em Picos (PI), chegando finalmente a Boqueirão da Esperança (AC). Nesse ponto final, localizado no estado mais a oeste do País, estaria um caminho prático e rápido para escoar a produção brasileira pelo Peru até o Oceano Pacífico e conectar mais facilmente, assim, a Amazônia ao mundo.


Hoje, décadas depois, a situação dos povos e do meio ambiente ao seu redor são tão alarmantes que a rodovia já foi rebatizada de “Transamargura” e “Transmiseriana”. Não à toa: com cinco mil quilômetros (dos oito mil previstos inicialmente) construídos, a estrada equivale a uma porteira escancarada para problemas socioambientais, como violência rural, desmatamento desenfreado e, principalmente, obstáculos ao desenvolvimento das comunidades e pequenos proprietários – público, ao menos no papel, que seria beneficiado primordialmente com a construção da rodovia.

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