quarta-feira, 28 de maio de 2014

Obra rara sobre o Tapajós completa 100 anos


As mesmas dores que hoje sofre o Xingu, em virtude da obrigação de parir uma hidrelétrica a qualquer custo (a fim de satisfazer necessidade de energia do sudeste do Brasil), não tardará a sentir o Tapajós. 

 Versando sobre o “valle tapajónico” existe uma obra que está completando cem anos. Ela foi escrita por Raymundo Pereira Brasil, à época intendente municipal de Itaituba, para ser apresentada em um evento sobre borracha, promovido pelo governo federal em 1913, no Rio de Janeiro.





Na seção de obras raras da biblioteca Arthur Vianna, em Belém, encontrei dois exemplares da “monografhia”. Naquele que tive em mãos encontra-se anotado que pertenceu ao governador Moura Carvalho.




Elaborada para "responder o minucioso questionário, que acompanha a circular explicativa do detalhe dos specimens, de que constará a Exposição Nacional de Borracha", o autor esclarece que a obra não se limitou "a essa tarefa, mas ampliamo-la com informações de outra ordem, no propósito de tornar bem clara e precisa a situação em que se acha o desenvovimento local".




Há cem anos a população do Tapajós, acima de Itaituba, segundo Henri Coudreau, na obra "Viagem ao Tapajós", era de 4.545 habitantes, divididos entre 2.985 considerados civilizados e 1.560 índios, sendo 1.460 mundurucus e 100 apiacás.



A “monografhia” de Raymundo Pereira Brasil, rica em fotografias, trata especificamente sobre o alto Tapajós, área a ser impactada pelo conjunto de cinco hidrelétricas que o governo federal quer porque quer construir naquelas belas paragens, a fim de consolidar o desenvolvimento do outro Brasil.

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