segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Manifestação de repúdio ao assassinato do advogado

Foto de Ubirajara Bentes De Souza Filho.

Ubirajara Bentes De Souza Filho adicionou 21 novas fotos.

A ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECCIONAL PARÁ – SUBSEÇÃO DE SANTARÉM, considera extremamente grave e preocupante a situação de insegurança pública em que se encontra a sociedade paraense, pois o que vemos diariamente é a multiplicação dos crimes contra as pessoas, sem que o Estado tome providência para o deslinde dos casos e punição dos culpados.

Após reiteradas denúncias de ameaças de morte e pedidos de proteção ao Governo do Estado do Pará, através da Secretaria de Segurança Pública, infelizmente, no último dia 24.01, o advogado JAKSON DE SOUZA E SILVA, presidente da Subseção da OAB de Parauapebas, teve sua vida ceifada na cidade de Manaus, nos moldes dos crimes de execução e, ao que tudo indica, por pistoleiros. Enquanto isso, comportam-se as autoridades como se nada estivesse acontecendo, permanecendo inertes sem ver a insidiosa omissão dos órgãos que deveriam velar pela segurança pública. 


O Estado do Pará é o campeão brasileiro de crimes contra advogados, já foram registrados em três anos 17 crimes, o que transformou o estado no campeão brasileiro em crimes contra a classe. Por esse motivo, o Conselho Seccional e Procuradoria Regional de Prerrogativas da seção paraense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Pará) e das Comissões Nacional e Regional de Prerrogativas da OAB, denunciaram o quadro de violência por assassinatos e o cerceamento do livre exercício da advocacia, em petição encaminhada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), para que esses crimes sejam esclarecidos e punidos os seus mandantes.


Não podemos tolerar a manutenção desse quadro de ameaça ao livre exercício da advocacia, o que nas palavras do Presidente da Seccional Pará, Jarbas Vasconcelos, afeta a sociedade por serem os advogados os principais “efetivadores de direitos”. Desse modo, ao não se proteger adequadamente esses profissionais, todo o sistema de direitos fica fragilizado. 


É um absurdo que os dirigentes do Sistema OAB e até mesmo os membros das Comissões de Prerrogativas atuem sob ameaças, que para exercerem a sua função necessitem usar carro blindado para proteger suas vidas. A ameaça aos representantes da nossa instituição constitui uma afronta ao Estado Democrático de Direito e a forma republicana que nossa sociedade está constituída.


O momento é de luto e reflexão sobre o que aconteceu e faremos as devidas homenagens ao amigo que sempre dignificou as lutas da OAB, com sua disponibilidade, inteligência e coragem. Não temos dúvidas que sua ausência será sempre sentida em nossas reuniões, por isso, conclamamos todos os advogados e advogadas a fazer com que o sacrifício do nosso amigo sirva de marco divisor para uma mudança no tratamento dessas questões, com o objetivo de reformular o sistema de segurança pública em nosso Estado.
Santarém – Pará, 26 de janeiro de 2015.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Advogado paraense morto em assalto em Manaus



Muito triste com a morte do Presidente da OAB, Subseção de Parauapebas, companheiro e amigo Jakson Silva. Ele foi assassinado em Manaus nesta noite num suposto assalto. É mais um líder que se vai prematuramente. Descanse em paz guerreiro! Subseção de Altamira em luto!

Nota do Blog: A Subseção de Santarém, ou melhor, a advocacia paraense está de luto, amigo Joaquim. Conforto à família do brilhante advogado e punição exemplar aos meliantes.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Carta Compromisso em Defesa de Direitos Humanos

Assinei Carta Compromisso em defesa de Direitos Humanos remetida por Movimentos Sociais de todo o Pará. 

‪#‎votoemquemdefendeosdireitoshumanos‬

O Agente do Direito (advogado/juiz /promotor) precisa ter acentuada formação humanística para perceber o drama humano vivenciado nos autos; compreender que o processo, que reside nos autos, relata, registra, contempla um drama social, um drama humano: tem vida, sentimento, chora, sangra e morre, não se resumindo num complexo de atos inertes e frios (petições, requerimentos, arrazoados, documentos, provas etc), num simples número nas hostes cartoriais (estantes bolorentas do foro), mera estatística promocional, fonte de receita estatal ou renda para advogado.

Sensível aos direitos humanos prestigiei, para a minha formação acadêmica, em nível de mestrado, a área de Direitos Fundamentais e Relações Sociais pela UFPA (currículo arquivado no site da OAB), de maneira que, obviamente, subscrevo a Carta Compromisso supra.

José Ronaldo Dias Campos.

Comentário:
Jerfcilene Carvalho - Lindo José Ronaldo Dias Campos. Palmas. Eu ainda acredito, faço parte, milito nos movimentos sociais, e defendo os direitos humanos. Por acreditar em uma sociedade igual, justa e fraterna. Parabéns, pelo excelente texto. Grata.

Santarém de outrora

24 de janeiro comemora-se o dia da Constituição da República

 
Constituição é a lei fundamental de uma nação soberana. Muitas dessas nações têm uma data especial celebrando a realização da democracia no texto de suas constituições. No Brasil, a data escolhida é o dia 24 de janeiro. Conheça a Constituição brasileira: http://bit.ly/1bJYlGL #DiaDaConstituição

A natureza é bela, perfeita

O Brasil é lindo!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Sete vícios de origem (e os pecados capitais)

Publicado por Luiz Flávio Gomes 

Corrupção, injustiça fiscal, fraudes em compras públicas, peculato, estelionato, especulação, tráfico de influência, advocacia administrativa, superfaturamento, acumulação de cargos, suborno, cabides de emprego, funcionários fantasmas, lentidão burocrática, nepotismo, políticos nefastos, produtos de baixa qualidade e até golpes de marketing: todos esses crimes (com outros nomes, às vezes), já frequentes no Brasil no século XVII, estão abundantemente narrados no livro A arte de furtar (possivelmente de autoria do Padre Manuel da Costa – 1601-1667). João Ubaldo Ribeiro, na apresentação de uma das suas edições, sublinhou: “Na nossa arrogância (de final de milênio), julgamos recém-inventados [os nossos vícios, particularmente o da corrupção], mas já há séculos eram notavelmente concebidos e executados [como mostra o livro citado]. Apesar de distante [século XVII], constitui espelho nítido, exibindo inquietantemente o que vemos em torno e lançando perguntas aos rostos que reflete: Disto não se sai? Somos hoje o que sempre fomos ancestralmente? Somos o único povo a padecer sempre das mesmas mazelas, a elas para sempre condenado? A natureza humana será imutável e ineducável, o homem será sempre o lobo do homem, a desconfiança haverá sempre de ser regra, a má-vontade norma, o pé-atrás a prática, o cinismo a defesa, policiamento onipresente a solução, abdicar do sonho uma necessidade, cuidar cada um só de si um imperativo?”
João Ubaldo, depois de todas essas pregnantes perguntas, acrescentou: “Não sabemos as respostas, mas temos o consolo, se bem que parco, de lembrar que não somos os primeiros, nem os únicos, nem os últimos, a encarar estas indagações, nos muitos espelhos que nos defrontam todos os dias, como os que nos oferece Arte de furtar (o mais brilhante exemplo de prosa barroca panfletária em nossa língua e uma joia literária sob qualquer critério)”. Concebida a palavra furtar em seu sentido mais vulgar (ladroagem, roubalheira, gatunagem, rapinagem, bandalheira, corrupção), todos os dias a mídia noticia um ou mais de um desses atos lesivos da res pública. Os mais sérios (como o caso da Petrobras) são praticados pelos vários crimes organizados que se espalharam pelo País, sob a estrutura P6: Parceria Público/Privada para a Pilhagem do Patrimônio Público.
Alguns exemplos: o prefeito de SP (Haddad-PT) nomeou três amigos do seu filho Frederico para ocuparem o cargo comissionado de assessor técnico no seu gabinete (R$ 3,3 por mês de salário, para cada um); é a chamada “cota do Fred”! Falou-se em nepotismo indireto (na verdade se trata do empreguismo, motivado, no caso, pelo amiguismo). Mais um uso indevido da coisa pública como se fosse patrimônio particular. Isso se chama patrimonialismo, que é o primeiro dos 7 vícios originais. Suely Campos (PP-RR) nomeou 19 parentes (parentismo, nepotismo e filhotismo). Também o nepotismo trocado virou moda no território nacional. Usa-se o dinheiro público no Brasil da forma mais aberrante possível. E tudo, normalmente, impune. Porque tudo isso faz parte da cultura.
7 vícios de origem
Os sete vícios que apresentaremos estão presentes em nossa formação social, econômica, política e cultural desde a origem. São eles:
(1) patrimonialismo: é a confusão entre o público e o privado, é o uso indevido da res pública como se fosse coisa privada. Ele abarca o estatismo (intromissão desnecessária em muitas áreas), o empreguismo (especialmente por razões políticas, não por mérito), o paternalismo (proteção estatal aos protegidos, aos apaniguados), o corporativismo (cada classe ou cada categoria busca tirar proveito do Estado), o fisiologismo (troca de favores, benesses dadas a um partido ou a um político em busca de apoio), o clientelismo (tratar o indivíduo não como cidadão e sim como um cliente a quem se deve ajudar – o Bolsa Família segue essa lógica, com grave prejuízo para a legitimidade da democracia), o nepotismo (empregar filhos ou parentes: filhotismo e parentismo), o “onguismo” (apoio dado a algumas ONGs com o propósito de buscar apoio eleitoral ou financeiro), o “emendismo” (é uma espécie de clientelismo praticado pelos parlamentares que conseguem direcionar parte dos recursos públicos para seus “currais” eleitorais), o novo peleguismo (apoio a sindicatos e entidades de classe, com a finalidade de apaziguar suas reinvindicações); é ainda a cooptação de vários setores da mídia (escrita, falada, televisada ou compartilhada), o aparelhamento do Estado (capilaridade partidária); o uso eleitoreiro do assistencialismo (médico, por exemplo), do bolsismo educativo (programas universitários), das cotas raciais etc.; outro efeito pernicioso do patrimonialismo (ou seja: da supervaloração do Executivo) consiste no “nanismo legislativo” (um poder apequenado, que faz dos políticos nada mais que intermediários de interesses, que normalmente não são os comuns, coletivos).
(2) Desigualdade, que é produto da plutocracia (Estado cogovernado pelas grandes riquezas). A concentração exagerada das riquezas nas mãos de poucos gera enormes desequilíbrios econômicos, sociais, culturais etc. O analfabetismo ou semianalfabetismo (analfabetismo funcional) é produto da desigualdade, tanto quanto o segregacionismo (apartheid) e o camorotismo. Ambos interferem diretamente na qualidade da cidadania, que é muito menos (no Brasil) que a “estatania”. A interferência promovida pelas grandes riquezas na legitimidade da democracia é mais do que visível, visto que são elas que “financiam” as campanhas políticas, em troca de benefícios futuros;
(3) parasitismo (ação de sugar o outro, o trabalho do outro; enriquecer com a energia corporal alheia, remunerando-a ridiculamente);
(4) autoritarismo, decorrente da formação hierarquizada e patriarcal da sociedade brasileira, por influência clara da Igreja nos séculos XVI-XX (teocratismo), de onde emana também o conservadorismo;
(5) acriticismo, que abarca o conformismo assim como a obediência e a submissão servis; por incontáveis razões não criticamos a injustiça da organização social brasileira: por falta de informação, por vínculos com o sistema de poder ou por falta de autonomia, pela tendência subserviente etc.;
(6) selvagerismo: violência interpessoal ou violação massiva dos direitos fundamentais (o Brasil é hoje o 12º país mais violento do planeta, com 29 assassinatos para cada 100 mil pessoas); ligados ao selvagerismo estão o militarismo e o inquisitorialismo;
(7) cleptocracia (Estado cogovernado por ladrões). A apropriação indevida da coisa alheia é algo generalizado no país, mas quando nos referimos à cleptocracia isso significa os grandes furtos, a grande corrupção (a que envolve o Estado).
Saiba mais
Dos sete pecados capitais (gula, avareza, inveja, vaidade, preguiça, ira e luxúria) cuidaram São Gregório Magno (Papa Gregório I, séc. VI) e São Tomás de Aquino. Todos os vícios citados (que o catolicismo catalogou como “pecados” para poder controlar e educar seus seguidores) tendem a ser causas de profunda infelicidade. Alguns podem até nos deixar felizes no princípio (gula, luxúria, preguiça), mas depois, normalmente, se convertem em fontes negativas. São João fez uma classificação dos sete pecados capitais (vícios), vinculando-os a três concupiscências (avidez, ganância, desejos descontrolados) como fonte de todos eles: “Tudo o que está no mundo é ou concupiscência da carne, ou concupiscência dos olhos, ou orgulho da vida” (I Jo 2,16). Fazem parte da concupiscência da carne: gula, luxúria e preguiça. A avareza é a concupiscência dos olhos. Os três últimos pecados (orgulho, inveja e ira) estão atrelados a outros sentimentos e emoções negativos dos seres humanos.
A lista dos nossos vícios de origem é enorme. Os que foram selecionados marcaram e assinalam a fisionomia da formação social, econômica, política e cultural do Brasil, desde o seu princípio (porque já trazidos pelos portugueses em suas bagagens e navios). O vínculo que podemos estabelecer entre tais vícios originais e os pecados capitais é o seguinte:
(1) o patrimonialismo (confusão entre o público e o privado, favores públicos em troca de votos ou apoios etc.) está atrelado à gula (quanto mais patrimonialista o Estado, mais “guloso” ele é);
(2) a plutocracia (Estado cogovernado pelas grandes riquezas que geram extremas desigualdades) tem ligação com a avareza;
(3) o parasitismo (sugar as pessoas em busca de alimento, de riqueza) nada mais é que a inveja exitosa (invejar é desejar o que o outro tem; o parasita deseja sugar o outro e quando consegue é o invejoso exitoso);
(4) o autoritarismo-patriarcalismo está vinculado com a vaidade ou soberba de mandar, de se sobrepor e de se impor;
(5) o acriticismo, quando atrelado aos que podem se informar e ter consciência crítica da realidade, faz par com a preguiça;
(6) o selvagerismo (a violência, a violação massiva dos direitos fundamentais) tem elo com a ira;
(7) a corrupção, a fraude, o furto etc. (a cleptocracia) está atrelado ao prazer da luxúria.
Faltam órgãos de controle (ou a eficácia deles) para fiscalizarem o princípio da impessoalidade, previsto na CF, art. 37. Lord Acton (1834-1902) dizia que “o poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Poder absoluto é o poder sem controle. Não havendo freios, o poder político (Executivo, Legislativo e Poder econômico) tende a se corromper completamente (porque as “aspirações individuais são infinitas”, dizia Durkheim). A liberdade é uma condição necessária para atingir fins espirituais elevados. Ela não é “um meio para atingir um fim político mais elevado. Ela é o fim político mais elevado. Não é para realizar uma boa administração pública que a liberdade é necessária, mas sim para assegurar a busca dos fins mais elevados da sociedade civil e da vida privada” (Lord Acton).
P. S. Participe do nosso movimento fim da reeleição (veja fimdopoliticoprofissional. Com. Br). Baixe o formulário e colete assinaturas. Avante!
Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). [ assessoria de comunicação e imprensa +55 11 991697674 [agenda de palestras e entrevistas] ]

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

População incendeia fórum após juiz negar cassação de prefeito

Revolta

Caso ocorreu em Buriti, no Maranhão.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Indignados com a decisão do juiz de Direito Jorge Antônio Sales Leite, cidadãos de Buriti/MA, a 332 km de São Luís, atearam fogo nas dependências do fórum da comarca. O magistrado negou o pedido de afastamento do prefeito da cidade, Rafael Mesquita. 

Em 2012, Mesquita teria sido flagrado com R$ 40 mil em espécie no dia das eleições e não explicou a origem do dinheiro. O parquet eleitoral ajuizou uma ação de impugnação de mandato eletivo contra o prefeito e seu vice para perda dos seus mandatos por captação ilícita de sufrágio, com abuso de poder econômico em 2013.

A Justiça julgou procedente as acusações e decretou a perda do mandato nas eleições municipais. Eles também se tornaram inelegíveis para as eleições por oito anos subsequentes à eleição para o qual foram eleitos. Dois dias depois, decisão favorável em MS permitiu o retorno dos eleitos ao cargo.
Em 2014, Rafael Mesquita foi novamente afastado da gestão do município, mas conseguiu nova liminar.

Na tarde desta terça-feira, 20, em reação à última decisão favorável ao prefeito, a população local dirigiu-se ao Fórum ‘Desembargadora Maria Madalena Alves Serejo’ e deu início aos atos de depredação, utilizando paus e pedras e ateando fogo em mesas e cadeiras. 

Segundo relatos, o juiz se trancou na sala em que estava quando percebeu o tumulto. Arrombada a porta, sacou uma arma para se defender até um policial chegar e resgatá-lo. A informação é de que pretendiam amarrá-lo para colocá-lo do lado de fora do prédio. 

Funcionários ajudaram a apagar o fogo e retirar documentos ameaçados de serem perdidos. Ao menos 50 processos foram queimados.

O magistrado está na comarca há seis meses e se reunirá com a presidência do TJ/MA para definir se continua ou não trabalhando em Buriti.

Fonte: migalhas

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Fogo no quintal pode configurar crime

Grande parcela da população, infelizmente, desconhece esse aspecto do problema. Porém, queimar qualquer coisa, com o propósito de se livrar dela e/ou dos inconvenientes por ela causados, gerando poluição, realmente ou potencialmente causadora de danos à saúde humana, é crime, na medida em que infringe o artigo 54 da Lei do Meio Ambiente (Lei Federal n. 9.605, de 12/2/1998). Acesse a lei aqui:http://bit.ly/1fjA1L5
Nota do Blog: Queimar lixo no quintal de residência, perturbando os vizinhos, é comum em Santarém, daí a esclarecedora e pertinente informação.

domingo, 18 de janeiro de 2015

O "Barão da Juta" na década de 60 era da nossa região

ANTÔNIO RAIMUNDO DE SOUZA PRINTES: O BARÃO DA JUTA
A HISTÓRIA DO JURUTIENSE QUE ESTEVE ENTRE OS HOMENS MAIS RICOS DO NORTE DO BRASIL

Antônio Raimundo é um ex-comerciante juteiro nascido no Paraná de Dona Rosa, conhecido como a maior expressão econômica de Juruti da década de 1960. Foi comprando e revendendo juta que ele construiu um patrimônio avaliado em milhões de reais. Costumava trazer sacas de cinquenta quilos de Óbidos cheia de dinheiro para financiar os juteiros. O poder econômico exercido por ele rendeu-lhe privilégios incomuns às famílias daquela época, bem como a construção de uma grande e luxuosa mansão feita em alvenaria, localizada próximo ao Correio, cuja decoração era contemplada com a visão de belas estátuas e esculturas de mármore e pedra sabão, equipada com água encanada e luz elétrica, o que representava um luxo para uma cidade onde se carregava água diretamente do rio. O episódio que o fez perder sua fortuna foi as "terras caídas" de 1985, ano em que compraria seu helicóptero, que destruiu a estrutura que sustentava seu negócio. Ele foi um grande exemplo de homem, pois mesmo com tamanha riqueza, sempre foi humilde e solidário. Quando eu o entrevistei, ouvi ele dizer o ditado "quando você estiver lá em cima, respeite os que estão lá em baixo, pois um dia você poderá descer e reencontrá-los". 

Este foi um dos temas abordados na obra que eu e Daniel Costa escrevemos acerca do Ciclo Econômico da Juta no Município de Juruti, com orientação e avaliação da Doutora Soraia Lameirão, Prof. do Centro de Formação Interdisciplinar I, da Universidade Federal do Oeste do Pará - UFOPA

Abaixo temos a foto de Antônio Raimundo, disponível no site do Museu Nacional, e a imagem de um dos últimos embarques de Juta no ano de 1985.
Karlynha Tavares
Foto de Juniele De Donelle Batista Savick Calarrary.

 Daniel Costa No ano das "Terras Caídas" sua produção atingiria o recorde de todos os anos. Os barracões que ficavam na frente da cidade estavam cheios de materiais que seriam fornecidos aos trabalhadores, avaliado em mais de meio milhão de reais. Mas naquela noite de 1985, no maior fenômeno de Terras Caídas já registrada em nossa região, num processo de construção e reconstrução da paisagem local, tudo foi levado pela força das águas barrentas do rio Amazonas, deixando seu Antônio Raimundo sem forças para reconstruir seus empreendimentos.
 Juniele De Donelle Batista Savick Calarrary Em 1985, ano em que as "terras caídas" destruíram seus galpões, Juruti foi citado como o segundo maior polo produtor de juta do Brasil, ficando atrás somente de Manacapuru, no Amazonas. Ele foi levado ao Rio de Janeiro para receber prêmios. Foi "o esteio econômico de Juruti". A perda de sua estrutura colocou Juruti em uma grande crise econômica, pois aquela era a maior fonte de geração de renda. Famílias ficaram sem seu "ganha pão". Começava um período de muita dificuldade econômica.

Praia do Maracanã, zona urbana de Santarém - Pará.

Foto de Luiz Reis.Fonte: Luiz Reis adicionou 3 novas fotos.

Porto de Santarém: uma vergonha pública infinda


Há algum tempo, uma ambulância foi buscar um paciente a bordo de um barco em nosso porto. Logo que chegaram ao local, mais uma ambulância foi solicitada. Motivo : o acompanhante do enfermo, ao tentar ajudar a carregar seu parente, foi ferrado por uma arraia. O que era para ser um paciente, virou dois ! Um dia, quem sabe, teremos nosso " porto seguro". .
Foto: Erik

PORTO DE SANTARÉM.

Há algum tempo, uma ambulância foi buscar um paciente a bordo de um barco em nosso porto. Logo que chegaram ao local, mais uma ambulância foi solicitada. Motivo : o  acompanhante do enfermo, ao tentar ajudar a carregar seu parente, foi ferrado por uma arraia.  O que era para ser um paciente, virou dois ! Um dia, quem sabe,  teremos nosso " porto seguro". .

Foto: Erik

Sabedoria posta para reflexão

Como este Blog é visto/lido em todo  o mundo, reproduzo a sábia mensagem para reflexão.

sábado, 17 de janeiro de 2015

As festividades de São Sebastião em Santarém

Iniciam-se hoje e se estendem até o domingo, dia 25/01/2015, as festividades de São Sebastião. Todos os dias haverá celebrações eucarísticas e a partir da próxima terça-feira, 20/01, haverá também arraial, com vendas nas barraquinhas das CEB´s e atrações musicais. Venha e participe!
Iniciam-se hoje e se estendem até o domingo, dia 25/01/2015, as festividades de São Sebastião. Todos os dias haverá celebrações eucarísticas e a partir da próxima terça-feira, 20/01, haverá também arraial, com vendas nas barraquinhas das CEB´s e atrações musicais. Venha e participe!

Aviso aos Advogados Trabalhistas do Oeste do Pará

 
ATENÇÃO SENHORES ADVOGADOS DE SANTARÉM E DO OESTE DO PARÁ!
‪#‎PJE‬
Informe TRT8
A Secretaria de Tecnologia de Informação do TRT8 comunica que o sistema de Processo Judicial Eletrônico - PJe, ficará indisponível no período de 23, a partir das 15h, a 25 de janeiro, com retorno previsto para 18h, para aplicação das versões 1.4.8.3.1 e 1.4.8.3.2., que possuem caráter corretivo e que visam a resolução de erros e mau funcionamento do Sistema. 

Como novidade das versões, será liberada a emissão eletrônica de certidão de distribuição de ações trabalhistas.

Fonte: ASCOM do TRT8

Brasileiro executado por tráfico de entorpecente


O carioca Marco Archer Cardoso Moreira, 53, foi executado por fuzilamento às 15h30 deste sábado (17), horário de Brasília, na Indonésia.
www1.folha.uol.com.br

Juridiquês

Coleta de "Castanha do Pará" na Amazônia




Foto de Arlisson Lima.Guarda umas pra temperar  aquele mingau de jerimum la na Praia do Cajutuba só a Ellen Borges Ellida Borges Elienai Costa Borges sabe fazer. La na ks do seu Aloizio deitado naquela varanda rsrsrsrsrsrsrsr me aguardem qual quer hora estarei riscando por ai surpresa...........
Foto de Arlisson Lima.

Fonte: Amigos que visitaram Selva Amazônica

Fordlândia patrimônio histórico

O Ministério Público Federal enviou recomendação ao Iphan para que acelere ao máximo o processo de tombamento da Vila de Fordlândia, no município de Aveiro, oeste do Pará, como patrimônio histórico, artístico e cultural nacional. Caso isso não seja possível, o MPF recomenda a adoção de “medidas concretas direcionadas à prefeitura de Aveiro para que se possa diminuir as perdas ocorridas na área a ser tombada, sob pena de se enquadrar o prefeito em conduta tipificada como ato de improbidade". Criada por Henry Ford nos anos 30, a vila deveria funcionar como um centro de produção de borracha para o mercado americano. Chegou a ter fábricas, restaurantes, praças, cinemas, dormitórios e funcionários, antes de virar uma cidade fantasma encravada na margem do rio Tapajós. O processo de tombamento tramita no Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, enquanto não é concluído, os bens da cidade deveriam ser mantidos pela prefeitura de Aveiro, que chegou a assinar um acordo de preservação com o Iphan em 2012, mas continuam chegando ao MPF notícias de depredação dos prédios de Fordlândia. 

O historiador Greg Grandin, professor de história da América Latina na Universidade de Nova York, narrou a saga de Fordlândia no livro "Fordlândia - Ascensão e Queda da Cidade Esquecida de Henry Ford na Selva", obra finalista na categoria história do prêmio Pulitzer de 2010, incluída entre os cem livros notáveis do ano no ranking do jornal The New York Times, e eleito o melhor livro do ano pelos jornais Chicago Tribune e Boston Globe. No mesmo ano, a edição 45 da revista Piauí publicou artigo de Gradin em que o autor apresenta alguns episódios dessa história. 

Eis alguns trechos: "A revolta começou numa segunda-feira. Naquela noite, James Kennedy telegrafou para Juan Trippe, o lendário fundador da Pan American Airways, em Nova York, para lhe contar que Fordlândia estava 'sob o domínio da plebe'. Trippe havia aberto uma linha entre Belém e Manaus, com uma escala em Santarém, e Kennedy perguntou se um dos aviões poderia transportá-lo até a plantação com alguns soldados. Se não partissem logo, alertou Kennedy, 'em 24 horas o lugar seria uma ruína completa'. Trippe concordou imediatamente. […] Uma delegação escolhida pelos funcionários recebeu o tenente com uma lista de exigências à empresa. A primeira delas era a demissão de Ostenfeld. As outras estavam ligadas ao direito de livre circulação. Os trabalhadores exigiam comer o que quisessem e onde quisessem. Estavam cansados de comer pão de trigo integral e arroz integral 'por motivos de saúde', segundo as instruções de Henry Ford. Queriam frequentar os bares e restaurantes que surgiram em torno da plantação e entrar em embarcações, supostamente para comprar bebidas, sem precisar pedir permissão. Os solteiros reclamavam das acomodações: cinquenta deles amontoados em um dormitório". 

Leiam aqui a íntegra do artigo de Greg Grandim no site da Piauí. 
E leiam aqui a íntegra da recomendação do MPF.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Incidente de resolução de demandas repetitivas


São exemplos as ações individuais ou coletivas para compensar prejuízos decorrentes de planos econômicos, questões previdenciárias e conflitos na área de consumo envolvendo serviços de telefonia, água, energia e planos de saúde. Leia a notícia completa em: http://bit.ly/1AaTjgV

A espontaneidade dos amigos é gratificante


Recebi até agora, de amigos, de forma espontânea e gratuita, 4 criativos banner's.
Obrigadoooo!!! 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Vote 12 para o desembargo (TJ-PA), amigo ADVOGADO

Meu caráter está  na mente dos que me conhecem. Contudo, em caso de dúvida, para aferir a minha competência, consulte este blog ou acesse o site http://goo.gl/EO15aT  para ler o meu currículo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Candidatos ao Desembargo pelo Quinto Constitucional


Eu, José Ronaldo Dias Campos, sou o terceiro, votado sob o nº 12, no dia 29 de janeiro de 2015.
#QuintoConstitucional

Dia 29 de janeiro acontece a eleição dos candidatos à vaga do Quinto. Quer conhecer quem está na disputa? Então acesse http://goo.gl/EO15aT

domingo, 11 de janeiro de 2015

Reflexão para iniciar bem a semana

890 mil filhotes de tartarugas lançados no rio Tapajós, em Aveiro

Projeto de preservação de quelônios solta 890 mil filhotes de tartarugas no rio Tapajós, em Aveiro.
http://www.oestadonet.com.br/…/6264-projeto-de-preservacao-… via @oestadonet
Projeto de preservação de quelônios solta 890 mil filhotes de tartarugas no rio Tapajós, em Aveiro. 

http://www.oestadonet.com.br/index.php/meio-ambiente/item/6264-projeto-de-preservacao-de-quelonios-solta-890-mil-filhotes-de-tartarugas-no-rio via @oestadonet

Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie


Há muita confusão acerca do atentado terrorista em Paris, matando vários cartunistas. Quase só se ouve um lado e não se buscam as raízes mais profundas deste fato condenável mas que exige uma interpretação que englobe seus vários aspectos ocultados pela midia internacional e pela comoção legítima face a um ato criminoso. Mas ele é uma resposta a algo que ofendia milhares de fiéis muçulmanos. Evidentemente não se responde com o assassianto. Mas também não se devem criar as condições psicológicas e políticas que levem a alguns radicais a lançarem mão de meios reprováveis sobre todos os aspectos. Publico aqui um texto de um padre que é teóloogo e historiador e conhece bem a situação da França atual. Ele nos fornece dados que muitos talvez não os conheçam. Suas reflexões nos ajudam a ver a complexidade deste anti-fenômeno com suas aplicações também à situação no Brasil: Lboff
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Eu condeno os atentados em Paris, condeno todos os atentados e toda a violência, apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou da paz e me esforço para ter auto controle sobre minhas emoções…
Lembro da frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobram os sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro, ninguém o merece, acredito na mudança, na evolução, na conversão. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem… Ainda estou constrangido pelos atentados à verdade, à boa imprensa, à honestidade, que a revista Veja, a Globo e outros veículos da imprensa brasileira promoveram nesta última eleição.
A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970, é mais ou menos o que foi o Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita europeia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais…
O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet (críticas que foram resolvidas com a demissão sumaria dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã, ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011…
A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”, vítimas de preconceitos e exclusões. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou.
Alguns chamam os cartunistas mortos de “heróis” ou de os “gigantes do humor politicamente incorreto”, outros muitos os chamam de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo, como os comentários políticos de colunistas da Veja, são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.
O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o Profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a imagem de Nossa Senhora para atacar os católicos…
Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. “É preciso” porque? Para que?

Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses, famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerância (ver Caso Dreyfus), como o STF no Brasil, que foi parcial nas decisões nas últimas eleições e no julgar com dois pessoas e duas medidas caos de corrupção de políticos do PSDB ou do PT, deram ganho de causa para a revista.
Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã e contra o cristianismo, se tem dúvidas, procure no Google e veja as publicações que eles fazem, não tenho coragem de publicá-las aqui…
Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência, com trocadilhos infames com “matar” e “explodir”…). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…
E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Mas piada são sempre preconceituosas, ela transmite e alimenta o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas…
Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus…
Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.
“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso, assim como deveria/deve punir a Veja por suas mentiras. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.

“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados, como o racismo ou a homofobia, isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim…
Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis ou bombas.
Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada”. Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados, um deles com granadas!, nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos”, e ela sabe disso).
Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro do atentado, eu não sou Charlie. Je ne suis pas Charlie.